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A cultura do preço baixo: uma tarde no Mercadão de Madureira

Atualizado: 6 de jun.

Do shopping ao comércio popular, uma economia de R$ 131


Por Diego Figueiredo, Fernando Melo e Tiago Mendes

Mercadão de Madureira - Foto: Fernando Melo

Se você é carioca de gema, há uma grande chance de conhecer o Mercadão de Madureira. Se for da zona norte, sem dúvida: o mercado é uma das principais atrações da região e virou referência quando se trata de vender tudo por um preço baixo. Foi cantado até num samba de Arlindo Cruz: “E no Mercadão você pode comprar. Por uma pechincha, você vai levar.” O Rampas foi lá conferir.


O Mercadão fica na avenida Edgard Romero, 239, um pouco distante do centro comercial do bairro. É possível chegar de trem pelo ramal Belford Roxo e descer na estação Mercadão de Madureira. Muitas linhas de ônibus também passam por lá.


No mesmo bairro do Mercadão fica o Madureira Shopping, na Estrada do Portela, 222. Para ir de um a outro não é tão perto: seria preciso pegar um ônibus ou caminhar 14 minutos (segundo o Google Maps) pela rota principal. Mas existe uma rota alternativa: atravessar, em menos de um minuto, o trilho do trem que liga os dois centros de compras – e economizar tempo e dinheiro.


Nas cerca de 580 lojas do mercadão é possível achar um pouco de tudo, de animais a kits de maquiagem, passando por lingerie, celulares e roupas. O mercado funciona de segunda a sábado, das 7h às 19h, e costuma receber cerca de 80 mil pessoas por dia, segundo a administração do lugar.


O Rampas comparou os preços de vários produtos à venda no shopping e no mercadão. Confira a seguir:


Roupas íntimas


Diante da infinidade de ofertas de lingerie no Mercadão de Madureira e no Madureira Shopping, o Rampas procurou as peças de preço mais baixo. No Mercadão, uma loja anunciava: “Promoção: Qualquer calcinha daqui é R$ 6”. Os sutiãs custavam a partir de R$ 29,90.


Variedade de calcinhas - Foto: Fernando Melo

Variedade de sutiãs - Foto: Fernando Melo

No Madureira Shopping, o Rampas conferiu os preços de lingerie nas lojas Marisa e Leader, sempre buscando algum produto de qualidade semelhante ao que estava sendo vendido no Mercadão. A calcinha mais barata encontrada foi na Leader, R$ 25,90, quase o preço do sutiã mais barato do Mercadão, R$29,90.


De uma calcinha a outra, do mercadão ao shopping, o produto subiu 333% – e não havia muita discrepância de qualidade entre os dois produtos analisados. No shopping, o sutiã mais barato também estava à venda na Leader. Custava R$ 69,90, mais que o dobro do sutiã do Mercadão. Ou seja: quem quiser comprar uma calcinha e um sutiã simples vai gastar R$ 36 no mercadão e R$ 96 no shopping – uma bela economia de R$ 60 reais, apenas atravessando o trilho do trem.


Prato feito


Encontrado no último andar do Mercadão, o restaurante contava com mesas cheias do lado de fora - Foto: Tiago Mendes

No quesito alimentação, também é possível economizar na hora do prato feito. No Shopping Madureira, o Giraffas foi o lugar que ofereceu a opção de lanche e refeição mais acessível, os pratos feitos variavam de R$31 até R$59. O frango à milanesa era o prato mais barato do cardápio.


No Mercadão, o Rampas foi conferir o estabelecimento Ki Delícia - Point do Sabor. O dono lamentou que a equipe chegou tarde e já não havia todos os pratos do cardápio disponíveis, apenas dois, o frango à parmegiana, de R$ 22, e o frango empanado, de R$ 20.


Cardápio do dia no restaurante Ki Delícia - Foto: Fernando Melo

Entre dois pratos levemente semelhantes, o frango à milanesa do Giraffas e o frango empanado do Ki Delícia, a diferença foi de R$ 11. Considerando um trabalhador hipotético que, almoce todo dia o mesmo frango empanado durante 21 dias úteis no mês, ele economizaria R$ 231 reais mensais só alimentação - 17,5% do salário mínimo atual.


Carregadores e fones de ouvido


Na hora de comparar os preços de acessórios para celulares, a maior dificuldade foi fazer fotos, pois os funcionários das lojas do Mercadão não chegaram a um acordo se era ou não permitido fazer imagens - e por isso essa seção vai sem fotos.


No Madureira Shopping, a Kalunga tinha a maior variedade de produtos. O carregador de celular mais barato (só a tomada, mas sem cabo USB) custava R$28,70; no Mercadão, um carregador inteligente e com USB custava R$ 16 - diferença de R$ 12.


Para os fones, o Rampas comparou produtos com a tecnologia de intra-auricular (aquela borrachinha que vem na ponta do fone). Na Kalunga um desses estava custando R$ 35,90, na versão mais acessível; no Mercadão de Madureira um produto semelhante, com a mesma tecnologia, custava R$ 18 - a metade.


No final do dia, quando o Mercadão estava para fechar, o Rampas fez as contas. Se uma pessoa fosse às compras e adquirisse um kit de calcinha e sutiã, uma pulseira (R$ 18 no mercadão, R$ 25 no shopping), um chinelo (R$ 23 no mercadão, R$ 40 no shopping), almoçasse seu franguinho e depois comprasse um carregador novo e um fone de ouvido, gastaria no Madureira Shopping R$262,50. No Mercadão de Madureira, os mesmos produtos sairiam por R$130,90. Uma economia de R$131,60 (pouco mais de 50%).


Em seus mais de 100 anos de história, o Mercadão de Madureira construiu e mantém a cultura do preço baixo. O mercado teve um momento complicado durante a pandemia, quando chegou a funcionar com apenas 6% de sua capacidade. Muitas lojas fecharam de vez.


Três anos depois, o Mercadão voltou a lotar, os corredores estão cheios, novas lojas substituíram as que fecharam – e, como no samba de Arlindo Cruz, quem vai lá pode comprar. Viva o Mercadão, viva Madureira.



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