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  • Foto do escritorVitória Luna

Ativismo ambiental esbarra na falta de informação

Atualizado: 13 de mai.

Pesquisa mostra que 36% dos jovens não sabem em que bioma vivem, e derretimento de geleiras preocupa mais que desmatamento na Amazônia


Reprodução: Unsplash

Os jovens brasileiros estão preocupados com a mudança climática – mas a preocupação e as atitudes sobre o tema esbarram muitas vezes na falta de informação. É o que mostra a Pesquisa Juventudes, Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, realizada por organizações não governamentais da área ambiental. De acordo com a pesquisa, um em cada três jovens não sabe identificar o tipo de bioma que vive.


Realizada pelas ONGs Em Movimento e ‘Rede Conhecimento Social’, a pesquisa foi publicada em abril e ouviu 5 mil entrevistados de 15 a 29 anos. De acordo com os entrevistados, o tema verde é o terceiro assunto mais importante para a juventude nacional, e pelo menos sete a cada dez deles sabem o que significa o termo “mudança climática”. Quando perguntados sobre qual é sua maior preocupação em relação à mudança climática, 54% dos entrevistados mencionaram o derretimento de geleiras. Apenas 22% dos jovens citaram chuvas torrenciais; 21% apontaram a seca prolongada, e 19% disseram que o desmatamento está entre suas principais preocupações.


Embora o deslizamento de geleiras seja de fato objeto de preocupação mundial, com inúmeras consequências ao redor do globo, em 2020 o Brasil viu o Pantanal passar pela maior queimada da história do país; a tempestade que assolou Teresópolis em 2011 é considerada o maior desastre natural brasileiro; e o desmatamento da Amazônia bate sucessivos recordes.


O estudante Gabriel Ribeiro, 26 anos e ativista ambiental, diz que mesmo que parte do movimento se preocupe muito com as crises ambientais do país, a disseminação das informações sobre isso ainda não chega na massa da juventude. “Acabo recebendo uma quantidade muito grande de informações sobre questões que acontecem no Brasil, mas que não ganham proporção no mainstream. Se entrarmos agora em qualquer site de petição, vão ter várias relacionadas a festas de rodeio de cidades que nunca ouvimos falar na grande mídia, por exemplo. É muito difícil algo que não é considerado tão relevante passar na grande mídia, muitas vezes só ouvimos o nome de certas cidades quando algo de proporções imensas acontece. Mariana e Brumadinho são exemplos disso. Imagine lutar para acabar com uma festa típica de uma cidade dessas e isso ir parar na grande mídia, beira o impossível.”


Para muitos jovens, uma das formas de mostrar a preocupação ambiental é deixar de consumir produtos de origem animal, seja alimentos, cosméticos ou roupas. De acordo com a pesquisa Ipec, realizada em 2021, 46% dos brasileiros deixaram de comer carne vermelha, por vontade própria, pelo menos uma vez na semana. Isadora Miranda, 23 anos e estudante de Odontologia na UFF, é vegetariana e se considera uma ativista ambiental. “Conheci o veganismo por não compactuar com a tortura de animais, porém, conforme fui mergulhando no assunto, descobri que deixar de comer carne ia além disso e tinha um impacto ambiental muito maior do que eu imaginei. Antes disso eu não fazia ideia que a quantidade absurda de vacas, que existem pela reprodução forçada, faz aumentar o buraco da camada de ozônio, pois quando emitem gases (por arroto ou pum), lliberam gás metano. Nunca tinha percebido o desmatamento necessário para a criação de pasto, não saberia da extinção de espécies marinhas por meio da pesca irresponsável. Eu não teria conhecimento de nada disso, se não tivesse aderido à causa lá no início, somente porque tinha pena dos animais”, pondera Isadora.


Apesar do crescimento do vegetarianismo, o uso de marcas fast fashion, modelo no qual os produtos são fabricados, consumidos e descartados constantemente, é uma realidade no dia a dia da juventude brasileira. O setor têxtil é o 2º maior consumidor de água no mundo e é responsável por cerca de 10% da produção dos gases responsáveis pelo efeito estufa. De acordo com a revista Forbes, as roupas vindas do fast fashion são utilizadas menos de cinco vezes e geram 400% mais emissões de carbono do que roupas de marcas de produção sustentável.


Para o ativista Gabriel Ribeiro, mesmo para quem está ligado no tema do meio ambiente, às vezes é difícil não cair no consumo das marcas fast-fashion.


“Não existe o veganismo certo, mas batemos muito na tecla do veganismo possível. Tipo, eu não vou deixar de tomar vacina porque ela foi criada com um embrião animal, existem coisas das quais não é possível fugir. Onde eu quero chegar é o seguinte: o fast fashion para algumas pessoas é a única alternativa, se a pessoa não usa só roupa preta, ou é grande demais, pequena demais, ela fica sem alternativas. Não estamos em um país de grande poder aquisitivo, e isso dificulta um pouco, porém acho que compensa da seguinte maneira: ao comprar nessas plataformas e gastar menos, sobra mais dinheiro e esse dinheiro eu sempre utilizo da melhor maneira possível. Alimento os cachorros de rua, ajudo instituições e faço sempre o possível. Se eu consumisse em lojas ditas convencionais, eu conseguiria ajudar muito menos e às vezes nem conseguiria.”



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