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  • Foto do escritorAndressa Zuza

Menos camisinha, mais riscos: uso de preservativo cai e sífilis avança entre jovens

Atualizado: 13 de abr.

De 2011 a 2021, taxa de detecção da doença cresceu 800% em pessoas de 15 a 29 anos


Camisinhas internas e externas são distribuídas gratuitamente em postos de saúde pelo Sistema Único de Saúde (SUS) . Foto/Reprodução: Andressa Zuza.

Os jovens brasileiros estão usando menos preservativo em suas relações sexuais. E se transformaram no alvo preferencial de infecções sexualmente transmissíveis, entre elas, uma doença prevenível e conhecida da humanidade há milênios: a sífilis. Dados do Ministério da Saúde mostram que, de 2011 a 2021, a taxa de detecção da sífilis cresceu de 9% para 78% entre a população. A faixa etária com mais casos registrados foi de 15 a 29 anos: mais de 350 mil casos da doença, do 1 milhão de notificações em todo o país. A sífilis provoca manchas no corpo, que geralmente não coçam, e podem ocorrer sintomas como febre, mal-estar e dor de cabeça. Sem tratamento, causa problemas neurológicos e pode matar.

As infecções sexualmente transmissíveis são causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos. As mais comuns são: gonorreia, sífilis, herpes genital, clamídia, hepatite e HIV. As infecções são transmitidas principalmente por contato sexual (oral, vaginal ou anal) sem preservativo. Algumas, como HIV e sífilis, também podem ser transmitidas de uma mãe infectada e sem tratamento para o filho durante o parto. O compartilhamento de seringas ou agulhas também pode propagar doenças sexualmente transmissíveis.

Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, quase 60% dos entrevistados de 18 anos ou mais não usaram camisinha em nenhuma relação sexual nos 12 meses anteriores à entrevista. Os principais motivos do não uso do método de barreira foram: confiança no parceiro (73%) e utilização de outros métodos para prevenção de gravidez (12%). Segundo dados da Agência IBGE de 2009, a taxa do uso de preservativo entre os jovens era de 72%.

O jovem M.N., de 32 anos, que preferiu não se identificar, relata que contraiu gonorreia na única vez que teve relações sexuais sem preservativo. “Sempre usei camisinha, mas como eu fui para festa com intenção de me divertir com meus amigos, não tinha nenhuma no bolso e meus amigos também não tinham. Acabou rolando do mesmo jeito”, lembra.

O não uso do preservativo entre pessoas que têm um relacionamento ou um parceiro fixo é algo preocupante, pois muitos desses indivíduos também podem contrair infecção sexualmente transmissível e só ficar sabendo quando os sintomas aparecem. Num artigo publicado em 2020, os pesquisadores Thelma Spindola, Rosana Santana, Rômulo Antunes, Yndira Machado e Paula de Moraes relatam resultados de um levantamento realizado com 30 jovens de 18 a 29 anos. Segundo o artigo, 30% dos entrevistados disseram que o uso de preservativo é mais frequente em uma relação casual ou esporádica. “Se você pega uma pessoa completamente desconhecida, é mais provável que você use o preservativo porque você não sabe o passado sexual dela e não se sente confiante”, disse um dos jovens entrevistados.


De acordo com o Ministério da saúde, as IST aparecem, principalmente, no órgão genital, mas podem surgir também em outras partes do corpo (ex.: palma das mãos, olhos, língua) | Reprodução: FreePik

A pneumologista da Fiocruz Patrícia Canto afirma que o preservativo é essencial na hora do sexo oral, vaginal ou anal, pois as ISTs podem ser transmitidas por contato com as secreções. Para os que têm parceiros fixos e não usam preservativo, a melhor solução é o teste para saber se tem alguma infecção e começar o uso da camisinha. “Algumas dessas infecções não têm manifestações visíveis e você ou seu parceiro podem estar infectados sem estarem com sintomas naquele momento. Vale se divertir e curtir o date, mas com proteção” explica a médica.

Mesmo com o avanço da ciência promovendo cura para algumas ISTs, é imprescindível continuar com o cuidado durante as relações, já que algumas infecções causam sequelas para o resto da vida ou até mesmo a morte. “O HIV, por exemplo, tem tratamento hoje, mas implica em uso de medicamentos diários e acompanhamento médico para o resto da vida, não é uma coisa trivial ou sem efeitos colaterais”, afirma Canto.

De acordo com a pneumologista, o governo tem um papel importante para a conscientização sobre o uso de camisinha. “É muito importante campanhas publicitárias do Ministério da Saúde falando dos riscos do sexo inseguro, isso faz muita diferença”, afirma. A iniciativa da distribuição de preservativos pelo Sistema Único de Saúde também é um fator muito importante para incentivar o uso.

Um estudo feito pela Associação Americana de Psicologia indica que a educação sexual nas escolas também ajuda a diminuir a incidência tanto de infecções sexualmente transmissíveis quanto de gravidez precoce e abusos sexuais.


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