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  • Foto do escritorRayane Figueiredo

Quando basquete rima com poesia

Atualizado: 13 de abr.

Projeto Cultura na Cesta transforma a vida de jovens apostando na união entre esporte, educação, leitura e arte


Reprodução: Internet

Um dia, o treinador de basquete Wanderson Geremias percebeu que seus alunos impressionavam a plateia ao fazer movimentos com a bola - mas tinham vergonha de ler em público. Tropeçavam nas palavras porque tinham problemas de alfabetização. Wanderson, conhecido como WG, criou então o projeto social Cultura na Cesta, misturando aulas de basquete com lições de português, envolvendo especialmente a poesia. O objetivo é melhorar o desempenho escolar e estimular a mudança na vida de jovens moradores da comunidade Cesarão, na Zona Oeste do Rio.


O projeto está sediado na Zona Oeste do Rio de Janeiro, que concentra 2 milhões de pessoas, 73,97% da população da cidade. É a região de menor Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, marcada por desigualdades sociais e realidades contrastantes. Apenas 12% dos moradores são empregados, e a situação é ainda mais difícil para a população jovem, que apresenta baixo grau de escolaridade e leitura, segundo o Índice de Progresso Social - Rio e o Instituto Pereira Passos, em 2018.


WG, morador do Cesarão desde a adolescência, encontrou no esporte a oportunidade de mudar de vida. Sua primeira oportunidade surgiu por meio de uma bolsa de estudos no antigo Colégio Delta em Santa Cruz, onde cursou o ensino médio e treinou basquete. Jogou em clubes tradicionais do Rio, migrou para o basquete de rua e se envolveu com projetos sociais como a Central Única de Favelas e o Afroreggae.



Em 2005, WG decidiu voltar para sua comunidade e fundar o projeto Cultura na Cesta. Com o apoio de voluntários, o projeto passou a oferecer aulas de reforço escolar, ensino de poesia e passeios culturais, unindo o esporte, a educação, a cultura e a arte. Todas as atividades são gratuitas. O objetivo era formar não apenas atletas, mas cidadãos. Mais de 3 mil crianças e adolescentes passaram pelo projeto Cultura na Cesta, O projeto cultura na cesta atualmente se mantém através da doação de voluntários. O atleta afirma que sua vida mudou completamente e que a importância do projeto na vida das crianças é dar direcionamento, oferecer apoio e abrir portas. "Hoje sou outra pessoa, com outra mente e outros objetivos. Sou a prova viva de que o esporte e a cultura podem mudar a vida das pessoas.”


Para WG, a bola representa o esporte, e a caneta representa a educação.



“Confesso que nunca gostei de esportes, mas quando tinha 10 anos, fiz parte do projeto Cultura na Cesta, bem no auge da minha pré-adolescência. Os momentos vividos lá foram, sem dúvida, de grande importância na minha formação social.“, afirma Ellyê Pedrosa, moradora do Conjunto Cesarão. Hoje, com 22 anos, ela está cursando História na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. A jovem não tem dúvidas de que o projeto foi uma parte importante em sua busca pelo seu espaço e direitos. “Eu visitei diversos espaços culturais, tais como a leitura e a arte. Meus irmãos ficaram lá por mais tempo do que eu. Ou seja, tanto eu quanto minha família fomos contagiados pelo projeto”.


Ellyê em um passeio cultural com o projeto, 2010. Foto: Acervo pessoal
Ellyê na UERJ com sua mãe, 2023. Foto: Acervo pessoal

Em 2016 e 2022 o Cultura na Cesta ganhou a Medalha Pedro Ernesto na Câmara Municipal do Rio de Janeiro em reconhecimento ao trabalho desenvolvido ao longo desses anos junto à juventude local. Esse é um reconhecimento público de que se trata de um projeto competente, e que chancela o Cultura na Cesta para conseguir patrocínios e ações públicas necessárias para sua realização. Apesar de tantos anos à frente do projeto e de vê-lo resistir, WG conta que é um desafio diário manter-se com doações, costurar parcerias e manter sua fé em Deus. “Já pensei em desistir, mas sempre há algo que o impulsiona a continuar."

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