A estratégia da NFL, a liga de futebol americano, para fazer do Brasil seu principal mercado fora dos Estados Unidos
Após o sucesso de Cowboys x Ravens no Maracanã, liga acelera investimentos e parcerias de mídia para impulsionar os negócios da bola oval
Por: Sofia Terra
O sucesso de público e crítica do confronto entre Dallas Cowboys e Baltimore Ravens, no dia que reuniu mais de 72 mil pessoas no Maracanã, consolidou o Brasil como a prioridade máxima no plano de expansão global da NFL (National Football League), a liga de futebol americano dos Estados Unidos. Após duas partidas em São Paulo, em 2024 e 2025, a estreia da liga no Rio de Janeiro confirmou a força comercial do mercado brasileiro. Segundo o diretor-geral da NFL, Luis Martinez, a meta da organização agora é ambiciosa: colocar o futebol americano entre os cinco esportes mais populares do Brasil nos próximos sete anos, impulsionado por novos investimentos e parcerias de mídia.

A escolha do Maracanã atendeu a critérios estratégicos de visibilidade e negócios. Se as edições na Neo Química Arena, em São Paulo, provaram a fidelidade de 47 mil torcedores por jogo, o palco carioca testou a capacidade da liga em escala máxima, atraindo uma multidão às arquibancadas e aos espaços corporativos. Nos Estados Unidos, a transmissão do confronto quebrou recordes e se tornou a partida internacional mais assistida da história da NFL na TV americana. Isso comprova o alto valor do espetáculo gerado em solo brasileiro.
Esse movimento ganha tração, sustentado por dados consistentes de consumo. O Brasil é atualmente o segundo maior mercado da NFL fora dos EUA, atrás apenas do México — uma distância que está diminuindo rapidamente. De acordo com o estudo “Yard by Yard”, realizado pelo IBOPE Repucom, 41 milhões de brasileiros se declararam fãs da NFL em 2024, representando um aumento de 310% na comparação com 2014. Para consolidar esse público, a liga substituiu os eventos sazonais por uma estrutura corporativa fixa no país.
O diretor-geral da NFL Brasil, Luis Martinez, em palestra no NFL Media Summit, explicou os pilares dessa expansão contínua. Segundo o executivo, as dimensões continentais do país oferecem oportunidades únicas em cada região, com uma população jovem e altamente conectada. Martinez destaca que o engajamento das redes sociais da NFL Brasil já supera o de mercados consolidados como Reino Unido, Alemanha e México, impulsionado por um modelo de transmissão inovador em parceria com o Grupo Globo.
A cobertura multiplataforma foi o principal motor de crescimento de público, democratizando o esporte para além dos nichos tradicionais. O impacto regular da liga cresceu 15%, alcançando 4,8 milhões de pessoas. No portal ge.globo, o consumo de vídeos subiu 22%, com 180 milhões de visualizações. Além disso, a última edição do Super Bowl atingiu a marca de 90 milhões de espectadores no Brasil.
Esse alcance qualificado atraiu grandes marcas, resultando no recorde histórico de 22 parceiros comerciais com ativações no Rio. A estratégia de marketing evoluiu da exposição estática para experiências profundas de consumo. A American Express, por exemplo, criou o espaço Football Lake Field, na Lagoa Rodrigo de Freitas, bairro da Zona Sul, com clínicas esportivas e interações. Para expandir a marca além do eixo Rio-São Paulo, a NFL lançou a campanha “A gente também joga”, que valoriza times e torcedores do Sul, Norte e Nordeste. A ação gerou o documentário “Depois do Impacto”, sobre o Coritiba Crocodiles, exibido no Festival do Rio. Gerardo Chapa, diretor de conteúdo internacional da NFL, ressaltou no Media Summit que o objetivo é representar a diversidade cultural de capitais como Salvador, Fortaleza, Recife e Curitiba.

O planejamento de longo prazo prevê ao menos mais duas edições no Maracanã até 2030, em acordo firmado com o governo do Rio de Janeiro. O plano inclui ainda a abertura de lojas oficiais e o fortalecimento do NFL Global Markets Program, que traz franquias como Miami Dolphins, Detroit Lions, Philadelphia Eagles e New England Patriots para ações no país.
A estratégia de consolidação, no entanto, não se limita aos grandes estádios; ela começa na base. Para garantir a sustentabilidade do negócio a longo prazo, a NFL aposta no flag football como sua principal ferramenta de renovação e educação esportiva. Praticada sem contato físico e confirmada como modalidade olímpica para as Olimpíadas de Los Angeles 2028, a categoria já alcança mais de 11 mil jovens em 130 escolas brasileiras, criando a próxima geração de fãs e praticantes do esporte.
Outra estratégia é tentar incluir nos Jogos Olímpicos de 2028, em Los Angeles, o e a inclusão do flag football, uma modalidade mais simples de futebol americano. O flag football é uma versão mais dinâmica e de menor contato físico do futebol americano. Em vez dos tradicionais tackles, os jogadores interrompem as jogadas ao retirar uma das fitas presas à cintura dos adversários. Com regras mais simplificadas e partidas mais curtas, a modalidade aumenta o acesso ao esporte e ganha espaço como ferramenta de formação de novos atletas.
Ao deixar o Maracanã com casa cheia e marcas consolidadas, a liga ratificou as palavras de Luis Martinez: com três jogos de sucesso no currículo, o futebol americano no Brasil superou qualquer dúvida e, definitivamente, chegou para fincar raízes.
.png)

Comentários