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  • Foto do escritorDébora Colman

Academias ao ar livre cuidam do corpo e da mente

Atualizado: 9 de abr.

Como os exercícios em praças públicas impactam a vida da comunidade, principalmente dos idosos


Prefeitura Rio/Reprodução - Academia na Praça Barão da Taquara teve cinco equipamentos reformados.

Às seis da manhã o despertador toca. É hora de levantar, tomar café e ir para a praça que fica na rua de casa. É assim que começam quase todas as manhãs da aposentada Ilza Machado da Silva, de 82 anos. Dona Ilza, como é chamada pelas “amigas da ginástica”, participa das aulas de alongamento e funcional às 7 da manhã em uma praça no bairro da Taquara, no Rio de Janeiro. Além das aulas com os professores, o local também dispõe de aparelhos de ginástica, que funcionam como uma “academia” ao ar livre muito frequentada, principalmente por idosos.


Dona Ilza conta que a experiência tem sido muito positiva e tem percebido mudanças tanto na saúde física quanto mental. “Eu tenho me sentindo mais disposta, e também é uma forma de me fazer querer sair mais de casa”. Além dos exercícios, a aposentada também destaca os momentos de interação em lanches coletivos e passeios que fazem “as meninas das ginástica”, como ela chama, se conectarem ainda mais. “A gente aluga ônibus para ir passear de vez em quando, é tudo de bom”, afirma Ilza com um sorriso no rosto.


Segundo um levantamento de 2020 da Fundação Getulio Vargas (FGV), o Rio de Janeiro é o estado que apresenta maior população idosa do país, sendo 13,06% de pessoas acima de 65 anos. A tendência é que esse número cresça ainda mais nos próximos anos, já que o Brasil se encontra na terceira fase da transição demográfica. Nesse período, a taxa de natalidade é menor e a de mortalidade é maior. Por isso, a população passa a ser mais idosa e a requerer mais atenção por parte do Estado. Segundo dados da prefeitura do Rio de Janeiro, a perspectiva é que até 2065 a população idosa seja maioria na cidade. Não é à toa que praças com academias e aulas ao ar livre sejam frequentadas majoritariamente por essa parcela da população.


Em parceria com a Prefeitura de Maricá, a Prefeitura do Rio de Janeiro desenvolveu o “Projeto Rio Ar Livre” que promove aulas de ginástica, dança e avaliação funcional, usando os equipamentos da Academia da Terceira Idade (ATI). A iniciativa contempla 185 praças na cidade do Rio e conta com uma equipe de profissionais multidisciplinares que estimulam a atividade física para a população acima de 40 anos.


O professor de educação física Wallace Lacerda, de 41 anos, trabalha em praça pública com projetos sociais e atende, principalmente, o público idoso e infantil. Ele ressalta a importância da atividade física para a melhora na qualidade de vida e presencia na prática a evolução do trabalho cognitivo, psicomotor e afetivo social da comunidade que frequenta esses espaços. “Nesses projetos, a gente visa integrar todos, tanto o pessoal com mais idade quanto o pessoal mais novo”, afirma o profissional.


Wallace ressalta a importância da interação social que acontece nesses projetos, principalmente para os mais idosos. “Muitas vezes as pessoas vão para a praça e nem treinam, vão para bater papo, conversar, ver os amigos. Porque, às vezes, em casa eles não têm essa assistência. Muitos já perderam os cônjuges, os filhos já cresceram e moram sozinhos”. O professor também destaca que trabalhar o físico não deixa de ser importante, mas que muitas vezes, nesses ambientes, o mais importante é o afetivo-social. “Saúde não é só ausência de doença”, conclui.


Dona Ilza pode vivenciar os benefícios do trabalho realizados nas praças do Rio de Janeiro na prática. A aposentada tem se sentido mais disposta e motivada a cuidar da saúde. “A professora orienta a gente e todo mundo se ajuda”, afirma a senhora sorrindo.


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