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Entre a lama e a espera pelo fim das obras

há 2 dias
6 min de leitura

Moradores de Itaitindiba, em São Gonçalo, cobram conclusão de trabalhos de  infraestrutura


Por: Ingrid Vianna


“As pessoas têm que sair com sacolas nos pés para não se sujarem.” A cena descrita por Larhissa Sampaio, moradora de Santa Izabel, em São Gonçalo, resume uma dificuldade que afeta moradores de Itaitindiba, localidade do bairro. A Estrada de Itaitindiba é uma das principais vias do bairro e está entre os trechos contemplados pelo projeto de infraestrutura da Prefeitura de São Gonçalo, que prevê obras de drenagem, pavimentação e urbanização. Em meio à falta de pavimentação, aos buracos e à lama provocada pelas chuvas, sair de casa para trabalhar, estudar ou realizar tarefas básicas pode se transformar em um desafio.


Trecho de rua em Itaitindiba, em São Gonçalo, com lama e solo sem pavimentação. Foto: Maria Eduarda Scaffo 
Trecho de rua em Itaitindiba, em São Gonçalo, com lama e solo sem pavimentação. Foto: Maria Eduarda Scaffo 

Segundo Larhissa, as condições das ruas interferem diretamente na rotina da população. Para conseguir chegar ao destino sem sujar os pés e as roupas, alguns moradores precisam improvisar. A situação, de acordo com ela, vai além do desconforto e dificulta a circulação dos moradores pelo próprio bairro.


“Esse abandono das obras, a falta de asfalto, ele tem desestruturado tudo, até porque ninguém consegue sair de casa arrumado para trabalhar ou estudar sem sujar o pé e a roupa. As pessoas têm que sair com sacolas nos pés para poder não se sujarem e o direito de ir e vir dentro do próprio bairro virou um desafio diário.”


O relato ocorre em um momento em que Santa Izabel passa por um amplo projeto de infraestrutura. A Prefeitura de São Gonçalo afirma que as obras de drenagem, pavimentação e urbanização seguem em andamento em diversas ruas da região. Apesar disso, moradores de trechos que ainda não receberam a pavimentação relatam dificuldades para circular e cobram a conclusão dos serviços.


A situação se torna ainda mais complicada nos períodos de chuva. Com o solo molhado, a lama se espalha pelas vias e aumenta a dificuldade de passagem. Para pedestres, principalmente os que precisam caminhar diariamente até pontos de ônibus, escolas, comércios ou locais de trabalho, o trajeto pode exigir cuidados e adaptações. O problema também afeta motoristas e motociclistas que precisam utilizar as ruas diariamente. Buracos, irregularidades e lama podem dificultar a circulação dos veículos, principalmente em áreas onde a pavimentação ainda não foi realizada. Para os moradores, a expectativa é que o processo de obras avance até que as ruas estejam em condições adequadas de circulação.


Obras de infraestrutura estão em andamento


Segundo a Prefeitura, mais de 120 ruas de Santa Izabel são contempladas por intervenções de infraestrutura, que incluem drenagem, pavimentação e urbanização. O investimento informado pelo município ultrapassa R$ 174 milhões. As intervenções, porém, acontecem em etapas. Antes de receber asfalto, algumas vias passam por obras de drenagem, instalação de manilhas e preparação do terreno. Em outros pontos, já foram executados serviços como meio-fio e calçadas. Até o início de setembro, segundo os dados divulgados pela Prefeitura, 92 ruas já haviam recebido obras de drenagem, enquanto 49 tinham meio-fio e calçadas concluídos. Outras 22 já haviam sido pavimentadas.


Os números mostram que o projeto está avançando, mas também ajudam a explicar a diferença entre os trechos da região. Enquanto algumas ruas já apresentam mudanças visíveis, outras ainda permanecem em etapas anteriores da obra. É nesse intervalo que os moradores de Itaitindiba continuam enfrentando os problemas que existiam antes da intervenção. A Prefeitura afirma que a realização da drenagem antes da pavimentação é necessária para preparar o sistema de escoamento da água. A medida busca evitar que o asfalto seja colocado sem uma estrutura adequada e reduzir problemas provocados pelo acúmulo de água e pelas chuvas. Na prática, porém, a preparação das vias pode deixar o solo exposto durante parte da execução. Em dias de chuva, o terreno se transforma e torna a circulação ainda mais difícil.


“A população quer que a rua fique transitável de volta”


A expectativa pela conclusão das obras também aparece no relato de Luysa Guimarães, moradora do bairro. Para ela, cabe ao poder público garantir que as intervenções sejam finalizadas e que as ruas voltem a oferecer condições adequadas de circulação. “Eu acredito que a principal expectativa dos moradores em relação à Prefeitura é que eles assumam essa responsabilidade e concluam essa obra imediatamente, porque a população quer que a rua fique transitável de volta, pavimentada, em condições dignas de a gente sair para trabalhar, para estudar, para ir ao mercado.” A fala da moradora evidencia uma das principais cobranças feitas pela população: a necessidade de que o resultado da obra seja percebido no cotidiano.


Enquanto o município apresenta o avanço de dezenas de ruas, moradores de áreas que ainda aguardam a conclusão das etapas continuam convivendo com os problemas provocados pela falta de pavimentação. A situação não significa necessariamente que as obras estejam paralisadas em todo o bairro. Pelo contrário, os dados divulgados pela Prefeitura indicam que diferentes serviços continuam sendo realizados. Entretanto, o andamento geral do projeto não elimina as dificuldades enfrentadas em cada rua enquanto as intervenções ainda não foram concluídas. É justamente nesse intervalo entre o início da obra e a entrega da via que a população enfrenta os impactos mais imediatos.


Na Estrada de Itaitindiba, os trabalhos incluem a implantação de drenagem, instalação de manilhas, preparação do terreno e, posteriormente, pavimentação. O investimento específico informado para a intervenção é de aproximadamente R$ 52,6 milhões, com previsão de conclusão em meados de 2027.


Trecho da Estrada de Itaitindiba durante obras de infraestrutura, em São Gonçalo. Foto: Maria Eduarda Scaffo 
Trecho da Estrada de Itaitindiba durante obras de infraestrutura, em São Gonçalo. Foto: Maria Eduarda Scaffo 

Também estão previstas intervenções em outras vias da região, dentro do projeto de infraestrutura que contempla bairros e localidades próximas. A realização de obras de drenagem antes da pavimentação é uma etapa importante para evitar que o asfalto seja colocado sem que o sistema de escoamento da água esteja preparado. A intenção é reduzir problemas futuros provocados pelo acúmulo de água e pelas chuvas.

Por outro lado, enquanto essas etapas ainda estão sendo realizadas, algumas ruas podem permanecer com o solo exposto e apresentar condições difíceis para circulação. Essa situação cria uma espécie de período de transição para os moradores: a obra representa a expectativa de melhoria no futuro, mas também pode provocar transtornos no presente.


Procurada pela reportagem, a Prefeitura de São Gonçalo informou que as obras de infraestrutura em Santa Izabel seguem em andamento e fazem parte de um projeto amplo de drenagem, pavimentação e urbanização do bairro. Segundo o município, mais de 120 ruas são contempladas pelas intervenções, que contam com investimento superior a R$ 174 milhões. A Prefeitura afirma que os serviços são realizados por etapas e que, até o início de setembro, 92 ruas já haviam recebido obras de drenagem, enquanto 49 contavam com meio-fio e calçadas concluídos e 22 haviam sido pavimentadas. Sobre as reclamações relacionadas à lama, aos buracos e às dificuldades de circulação, a administração municipal afirmou que algumas vias podem apresentar condições temporariamente precárias durante a execução das obras, principalmente em períodos de chuva.


De acordo com a Prefeitura, as intervenções têm como objetivo justamente solucionar problemas históricos de infraestrutura e melhorar as condições de mobilidade da população. A Prefeitura também destacou que o projeto não se limita à colocação de asfalto. As obras incluem implantação de redes de drenagem, instalação de manilhas, preparação do terreno, construção de calçadas, meio-fio e urbanização das vias. 


As equipes continuam trabalhando na região e a conclusão dos serviços ocorre conforme o cronograma estabelecido para cada trecho. Para os moradores que ainda enfrentam lama e buracos, entretanto, a realidade é mais imediata. A necessidade de chegar ao trabalho, à escola ou ao mercado acontece todos os dias, independentemente do estágio em que a obra se encontra. A pavimentação, nesse contexto, representa mais do que uma mudança na aparência das vias. Uma rua asfaltada pode facilitar a circulação de pedestres e veículos, melhorar o acesso às residências e reduzir os impactos provocados pelas chuvas. A cobrança pela conclusão também está relacionada à expectativa criada pelo próprio projeto. Quando uma intervenção de grande porte chega ao bairro, os moradores passam a esperar uma mudança concreta na rotina. Enquanto ela não acontece, os problemas antigos continuam presentes.


No caso de Santa Izabel, a Prefeitura afirma que as intervenções estão em andamento e que o projeto contempla mais de 120 ruas. O desafio é fazer com que o avanço registrado pelo município alcance também os trechos onde a população ainda enfrenta dificuldades para circular. Até que as obras sejam concluídas, a chuva continuará sendo um dos principais fatores capazes de revelar as condições das vias.


Enquanto a Prefeitura apresenta o avanço das intervenções em diferentes pontos de Santa Izabel, quem vive em trechos ainda não pavimentados continua lidando com uma realidade diferente. A obra representa uma promessa de melhoria para o futuro, mas os transtornos persistem no presente. A diferença entre o cronograma das obras e a rotina dos moradores é justamente um dos pontos centrais da reclamação. O trabalho pode estar avançando, mas quem precisa atravessar a rua todos os dias não consegue esperar até a conclusão para chegar ao trabalho, à escola ou ao mercado.


Para Larhissa e Luysa, a expectativa é que a intervenção deixe de ser apenas uma promessa de mudança e passe a fazer parte da rotina dos moradores. No fim, a cobrança é por algo mais básico do que uma rua nova: poder sair de casa, atravessar o próprio bairro e chegar ao destino sem precisar enfrentar a lama no caminho.



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