Entre a lama e a espera pelo fim das obras
Moradores de Itaitindiba, em São Gonçalo, cobram conclusão de trabalhos de infraestrutura
Por: Ingrid Vianna
“As pessoas têm que sair com sacolas nos pés para não se sujarem.” A cena descrita por Larhissa Sampaio, moradora de Santa Izabel, em São Gonçalo, resume uma dificuldade que afeta moradores de Itaitindiba, localidade do bairro. A Estrada de Itaitindiba é uma das principais vias do bairro e está entre os trechos contemplados pelo projeto de infraestrutura da Prefeitura de São Gonçalo, que prevê obras de drenagem, pavimentação e urbanização. Em meio à falta de pavimentação, aos buracos e à lama provocada pelas chuvas, sair de casa para trabalhar, estudar ou realizar tarefas básicas pode se transformar em um desafio.

Segundo Larhissa, as condições das ruas interferem diretamente na rotina da população. Para conseguir chegar ao destino sem sujar os pés e as roupas, alguns moradores precisam improvisar. A situação, de acordo com ela, vai além do desconforto e dificulta a circulação dos moradores pelo próprio bairro.
“Esse abandono das obras, a falta de asfalto, ele tem desestruturado tudo, até porque ninguém consegue sair de casa arrumado para trabalhar ou estudar sem sujar o pé e a roupa. As pessoas têm que sair com sacolas nos pés para poder não se sujarem e o direito de ir e vir dentro do próprio bairro virou um desafio diário.”
O relato ocorre em um momento em que Santa Izabel passa por um amplo projeto de infraestrutura. A Prefeitura de São Gonçalo afirma que as obras de drenagem, pavimentação e urbanização seguem em andamento em diversas ruas da região. Apesar disso, moradores de trechos que ainda não receberam a pavimentação relatam dificuldades para circular e cobram a conclusão dos serviços.
A situação se torna ainda mais complicada nos períodos de chuva. Com o solo molhado, a lama se espalha pelas vias e aumenta a dificuldade de passagem. Para pedestres, principalmente os que precisam caminhar diariamente até pontos de ônibus, escolas, comércios ou locais de trabalho, o trajeto pode exigir cuidados e adaptações. O problema também afeta motoristas e motociclistas que precisam utilizar as ruas diariamente. Buracos, irregularidades e lama podem dificultar a circulação dos veículos, principalmente em áreas onde a pavimentação ainda não foi realizada. Para os moradores, a expectativa é que o processo de obras avance até que as ruas estejam em condições adequadas de circulação.
Obras de infraestrutura estão em andamento
Segundo a Prefeitura, mais de 120 ruas de Santa Izabel são contempladas por intervenções de infraestrutura, que incluem drenagem, pavimentação e urbanização. O investimento informado pelo município ultrapassa R$ 174 milhões. As intervenções, porém, acontecem em etapas. Antes de receber asfalto, algumas vias passam por obras de drenagem, instalação de manilhas e preparação do terreno. Em outros pontos, já foram executados serviços como meio-fio e calçadas. Até o início de setembro, segundo os dados divulgados pela Prefeitura, 92 ruas já haviam recebido obras de drenagem, enquanto 49 tinham meio-fio e calçadas concluídos. Outras 22 já haviam sido pavimentadas.
Os números mostram que o projeto está avançando, mas também ajudam a explicar a diferença entre os trechos da região. Enquanto algumas ruas já apresentam mudanças visíveis, outras ainda permanecem em etapas anteriores da obra. É nesse intervalo que os moradores de Itaitindiba continuam enfrentando os problemas que existiam antes da intervenção. A Prefeitura afirma que a realização da drenagem antes da pavimentação é necessária para preparar o sistema de escoamento da água. A medida busca evitar que o asfalto seja colocado sem uma estrutura adequada e reduzir problemas provocados pelo acúmulo de água e pelas chuvas. Na prática, porém, a preparação das vias pode deixar o solo exposto durante parte da execução. Em dias de chuva, o terreno se transforma e torna a circulação ainda mais difícil.
“A população quer que a rua fique transitável de volta”
A expectativa pela conclusão das obras também aparece no relato de Luysa Guimarães, moradora do bairro. Para ela, cabe ao poder público garantir que as intervenções sejam finalizadas e que as ruas voltem a oferecer condições adequadas de circulação. “Eu acredito que a principal expectativa dos moradores em relação à Prefeitura é que eles assumam essa responsabilidade e concluam essa obra imediatamente, porque a população quer que a rua fique transitável de volta, pavimentada, em condições dignas de a gente sair para trabalhar, para estudar, para ir ao mercado.” A fala da moradora evidencia uma das principais cobranças feitas pela população: a necessidade de que o resultado da obra seja percebido no cotidiano.
Enquanto o município apresenta o avanço de dezenas de ruas, moradores de áreas que ainda aguardam a conclusão das etapas continuam convivendo com os problemas provocados pela falta de pavimentação. A situação não significa necessariamente que as obras estejam paralisadas em todo o bairro. Pelo contrário, os dados divulgados pela Prefeitura indicam que diferentes serviços continuam sendo realizados. Entretanto, o andamento geral do projeto não elimina as dificuldades enfrentadas em cada rua enquanto as intervenções ainda não foram concluídas. É justamente nesse intervalo entre o início da obra e a entrega da via que a população enfrenta os impactos mais imediatos.
Na Estrada de Itaitindiba, os trabalhos incluem a implantação de drenagem, instalação de manilhas, preparação do terreno e, posteriormente, pavimentação. O investimento específico informado para a intervenção é de aproximadamente R$ 52,6 milhões, com previsão de conclusão em meados de 2027.

Também estão previstas intervenções em outras vias da região, dentro do projeto de infraestrutura que contempla bairros e localidades próximas. A realização de obras de drenagem antes da pavimentação é uma etapa importante para evitar que o asfalto seja colocado sem que o sistema de escoamento da água esteja preparado. A intenção é reduzir problemas futuros provocados pelo acúmulo de água e pelas chuvas.
Por outro lado, enquanto essas etapas ainda estão sendo realizadas, algumas ruas podem permanecer com o solo exposto e apresentar condições difíceis para circulação. Essa situação cria uma espécie de período de transição para os moradores: a obra representa a expectativa de melhoria no futuro, mas também pode provocar transtornos no presente.
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de São Gonçalo informou que as obras de infraestrutura em Santa Izabel seguem em andamento e fazem parte de um projeto amplo de drenagem, pavimentação e urbanização do bairro. Segundo o município, mais de 120 ruas são contempladas pelas intervenções, que contam com investimento superior a R$ 174 milhões. A Prefeitura afirma que os serviços são realizados por etapas e que, até o início de setembro, 92 ruas já haviam recebido obras de drenagem, enquanto 49 contavam com meio-fio e calçadas concluídos e 22 haviam sido pavimentadas. Sobre as reclamações relacionadas à lama, aos buracos e às dificuldades de circulação, a administração municipal afirmou que algumas vias podem apresentar condições temporariamente precárias durante a execução das obras, principalmente em períodos de chuva.
De acordo com a Prefeitura, as intervenções têm como objetivo justamente solucionar problemas históricos de infraestrutura e melhorar as condições de mobilidade da população. A Prefeitura também destacou que o projeto não se limita à colocação de asfalto. As obras incluem implantação de redes de drenagem, instalação de manilhas, preparação do terreno, construção de calçadas, meio-fio e urbanização das vias.
As equipes continuam trabalhando na região e a conclusão dos serviços ocorre conforme o cronograma estabelecido para cada trecho. Para os moradores que ainda enfrentam lama e buracos, entretanto, a realidade é mais imediata. A necessidade de chegar ao trabalho, à escola ou ao mercado acontece todos os dias, independentemente do estágio em que a obra se encontra. A pavimentação, nesse contexto, representa mais do que uma mudança na aparência das vias. Uma rua asfaltada pode facilitar a circulação de pedestres e veículos, melhorar o acesso às residências e reduzir os impactos provocados pelas chuvas. A cobrança pela conclusão também está relacionada à expectativa criada pelo próprio projeto. Quando uma intervenção de grande porte chega ao bairro, os moradores passam a esperar uma mudança concreta na rotina. Enquanto ela não acontece, os problemas antigos continuam presentes.
No caso de Santa Izabel, a Prefeitura afirma que as intervenções estão em andamento e que o projeto contempla mais de 120 ruas. O desafio é fazer com que o avanço registrado pelo município alcance também os trechos onde a população ainda enfrenta dificuldades para circular. Até que as obras sejam concluídas, a chuva continuará sendo um dos principais fatores capazes de revelar as condições das vias.
Enquanto a Prefeitura apresenta o avanço das intervenções em diferentes pontos de Santa Izabel, quem vive em trechos ainda não pavimentados continua lidando com uma realidade diferente. A obra representa uma promessa de melhoria para o futuro, mas os transtornos persistem no presente. A diferença entre o cronograma das obras e a rotina dos moradores é justamente um dos pontos centrais da reclamação. O trabalho pode estar avançando, mas quem precisa atravessar a rua todos os dias não consegue esperar até a conclusão para chegar ao trabalho, à escola ou ao mercado.
Para Larhissa e Luysa, a expectativa é que a intervenção deixe de ser apenas uma promessa de mudança e passe a fazer parte da rotina dos moradores. No fim, a cobrança é por algo mais básico do que uma rua nova: poder sair de casa, atravessar o próprio bairro e chegar ao destino sem precisar enfrentar a lama no caminho.
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