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  • Foto do escritorHiago Soares

Escolas de Samba encerram carnaval com desfiles de rua para as comunidades

Atualizado: 13 de mai.

Após brilharem na Sapucaí, Viradouro, Imperatriz e Beija-Flor levam a festa aos seus bairros


Alegoria da comissão de frente da Unidos do Viradouro faz a alegria da plateia em desfile de rua - Foto: Thaís Brum

Para algumas escolas de samba, o Carnaval de 2024 não se encerrou após os desfiles no Sábado das Campeãs. Unidos do Viradouro, Imperatriz Leopoldinense e Beija-flor de Nilópolis prepararam apresentações de rua dedicadas às suas respectivas comunidades, numa retribuição ao apoio recebido do público ao longo dos preparativos para o campeonato.


Por questões logísticas, os carros alegóricos não fazem parte das apresentações. Mas os desfiles de rua contaram com o uso de tripés, elementos da comissão de frente e uma legião de componentes fantasiados. A Imperatriz Leopoldinense aproveitou que a empolgação do Carnaval ainda estava no ar e arrastou uma multidão para a Rua Euclides Faria, em Ramos, no dia 24 de fevereiro. A Beija-Flor reuniu os nilopolitanos no tradicional Desfile da Mirandela, no dia 2 de março. A grande campeã, Unidos do Viradouro, celebrou o tricampeonato ao lado dos niteroienses em 17 de março, na Avenida Amaral Peixoto.


Em entrevista ao site Rampas, Alexandre de Souza, diretor de harmonia e coordenador das alas coreografadas da Viradouro, falou sobre o desfile pós-Carnaval: “Posso afirmar que foi uma das maiores emoções da minha vida carnavalesca, assistir os moradores de Niterói e São Gonçalo gritando o samba ‘Arroboboi, Dangbé’ e algumas chorando. Foi uma sensação incrível. Só quem estava na Amaral sabe mensurar esse acontecimento”. De acordo com ele, a ação da escola ao promover um desfile gratuito foi uma maneira de se aproximar e se envolver com a comunidade. “Muitas vezes o público não tem dinheiro para assistir o desfile ao vivo na Sapucaí por conta do preço dos ingressos ou por conta da distância para outro município. Então, a Viradouro fazer um desfile perto da sua comunidade é um aconchego a todos”, afirmou.


Outra agremiação que se tornou símbolo de identidade e orgulho para sua cidade é a Beija-Flor, por ter estabelecido uma relação inabalável com os moradores de Nilópolis. Uma delas é Shayana dos Santos, membro da agremiação desde 2011, quando a escola foi campeã com o enredo em homenagem ao cantor Roberto Carlos. “Beija-Flor e Nilópolis vivem uma confluência, que se mistura ao longo do tempo. É uma troca muito grande de saberes e aprendizados”, ela afirma. A integrante desfilou na Mirandela neste ano. “Foi muito bacana a sintonia com o público. O povo abraçou cada componente e a escola retribuiu da melhor maneira possível. Foi uma troca muito bonita e com muito afeto.” 


Desigualdade social restringe acesso aos setores da Apoteose

Neste ano, os ingressos das arquibancadas principais dos desfiles do Grupo Especial custaram entre R$ 145, a meia, e R$ 290, a inteira. O salário mínimo de 2024 é de R$ 1.412, impossibilitando pessoas de baixa renda de terem acesso aos ingressos do Sambódromo, mesmo na modalidade Meia Entrada o valor é alto para aqueles que recebem apenas um salário mínimo.


A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) ofereceu ingressos para os setores populares da Marquês de Sapucaí. A meia-entrada custava R$ 7,50, e a meia-entrada, a R$ 15. Mas nem todos conseguiram comprar o ingresso barato e ainda enfrentaram a concorrência dos cambistas. 


Foi o que aconteceu com Andréa Freitas, torcedora da Viradouro. “No dia que abriram as vendas eu entrei no site. Fiquei horas aguardando na fila, mas infelizmente não consegui nenhum ingresso. Depois fiquei sabendo pela minha comadre que tinha gente revendendo pelo valor dos setores principais. Um absurdo, né?”, ela reclama. Para Andréa, o desfile na Amaral Peixoto foi a oportunidade de assistir ao vivo à escola que tanto torce: “Se não for assim, só pela TV”.


O público que comparece aos ensaios técnicos

Quem não consegue comparecer aos desfiles oficiais pode acompanhar os ensaios técnicos que acontecem, gratuitamente, do início do mês de janeiro até a semana que antecede o Carnaval. Neles, as escolas de samba atravessam a Sapucaí de maneira mais intimista, sem a presença de adereços e caixas de som que ecoam o samba-enredo por toda a avenida. Apesar de ser uma preparação, as pessoas assumem o compromisso de estarem presentes para acompanhar e prestigiar.


Membro da torcida "Guerreiros da Leopoldina" da Imperatriz, Brayan Gaspar costuma ir aos ensaios técnicos: “A energia do desfile é diferente, as pessoas sabem realmente o que é escola de samba e sabem cantar o samba-enredo da sua agremiação. A comunidade da escola fica em peso nas arquibancadas e frisas”.


Ele também elogiou a iniciativa da escola de Ramos de ter oferecido  uma amostra do desfile oficial no bairro. “Considero uma forma de acessibilidade, muitas das vezes a comunidade não tem o direito de assistir o seu próprio trabalho em prática. Quando as escolas de samba enxergam e valorizam suas comunidades não têm como dar errado, a comunidade é a raiz e o pilar da escola”, conclui. A Imperatriz Leopoldinense é a atual vice-campeã do Carnaval do Rio e desfilou neste ano com o enredo “Com a Sorte Virada Pra Lua, Segundo o Testamento da Cigana Esmeralda”.  








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