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  • Foto do escritorSimone Nascimento

ONGs passam por sobrecarga com excesso de animais abandonados

Atualizado: 30 de abr.

Dados apontam que o Brasil tem mais de 180 mil bichos abandonados ou resgatados após maus-tratos vivendo em abrigos


Foto: Reprodução

A veterinária Rubiane Oliveira é uma das voluntárias responsável por atender animais abandonados que chegam ao Centro de Apoio aos Animais de Rua e Particulares (Caarp), na Zona Norte do Rio. Ela realiza exames e prescreve os tratamentos necessários para que o abrigo possa continuar o cuidado. Segundo Rubiane, os bichos acolhidos chegam em estado crítico e são encaminhados para a área de tratamento. Sempre que um novo animal dá entrada no abrigo, vai automaticamente para internação separado dos demais. Além dos casos graves, aqueles com problemas menores, sem risco de contágio, não precisam ficar internados, mas ainda seguem em tratamento. Aiko, um cachorrinho com um tipo de sarna crônica não transmissível para outros animais, é um dos 300 animais recolhidos no Caarp - o lugar teria capacidade para 80. E, como várias outras instituições, não dá conta da demanda.


Não há um número exato sobre o total de animais abandonados vivendo nas ruas brasileiras. Pelas estimativas da OMS (Organização Mundial da Saúde), só de cães e gatos seriam 30 milhões, e o problema vem crescendo nos últimos anos. A Ampara Animal, entidade que apoia a proteção animal por todo o Brasil, estima que o número de bichos resgatados por organizações não governamentais (ONGs) desde 2020 é cerca de 60% maior do que em anos anteriores. O instituto Pet Brasil aponta que, em todo o país, existem cerca de 185 mil animais resgatados das ruas vivendo em abrigos. A conta não inclui protetores particulares, pessoas físicas que resgatam bichos em situação de risco ou abandonados, dando assistência necessária e encaminhando para adoção responsável.


Com isso, instituições que cuidam de animais abandonados estão sobrecarregadas, tanto pelo número de abrigados, quanto pelos gastos com alimentação, vacinas, tratamentos veterinários e medicamentos. O volume de doações e a quantidade de voluntários atuando no cuidado desses animais também diminuiu significativamente.


A crise econômica e a pandemia de Covid agravaram mais o quadro. No início de 2020, as ONGs e os abrigos que resgatam e cuidam desses bichos chegaram a registrar aumento nas adoções. Mas com a crise, o desemprego e o crescimento de quase 40% de pessoas em situação de rua, muitos animais que haviam sido adotados foram devolvidos. No Rio de Janeiro, por exemplo, as taxas de abandono mais que dobraram, estima a Comissão de Direitos dos Animais da Câmara do Rio.


Muitos desses animais resgatados por essas instituições e por muitas outras que não são cadastradas no sistema da prefeitura por não possuírem personalidade jurídica ou por não se manifestarem foram vítimas de maus-tratos ou de crueldade. Alguns chegam aos abrigos precisando de tratamentos caros e longos, e há casos que exigem cirurgia. Tudo isso tem alto custo financeiro.


Atualmente, de acordo com a Secretaria Municipal de Proteção e Defesa dos Animais do Rio de Janeiro existem apenas cinco instituições regularizadas e cadastradas que atuam no resgate e cuidado de animais abandonados. São elas: Abrigo João Rosa, Associação Segunda Chance Proteção Animal, Casa de Lázaro, Grupo de Ação, Resgate, Reabilitação Animal (G.A.R.R.A) e a Sociedade União Internacional Protetora dos Animais (Suipa).


Foto: Acervo Pessoal Carolina Lira

A vice-presidente do Caarp, Carolina Lira, conta que o abrigo, que se mantém através de doações, está sobrecarregado. Hoje 300 animais estão listados como abrigados na instituição, 180 cães adultos e 120 gatos adultos. “Mas o número é muito maior, pois existem animais doentes na enfermaria e ainda tem os filhotes na triagem que ainda não receberam nome, até porque esses são os mais fáceis de serem adotados.”


Segundo o relato de Carolina, o número de abandonos em 2022 cresceu em relação ao ano anterior. “Agora a gente tá com medo de enfrentar esse ano, porque esperávamos que as pessoas tivessem mais consciência, mais entendimento sobre os direitos dos animais e sobre os perigos que eles correm nas ruas, mas não é o que acontece, o que tem acontecido é cada vez mais abandono."


A Lei de Crimes Ambientais, aprovada em 1998, caracteriza como crime o abandono e os maus-tratos de animais. A punição ficou mais rigorosa com a aprovação da Lei Sansão, em 2020, que passou a considerar o ato como antecedente criminal. Abandonar animais é um crime punível com pena de 2 a 5 anos de reclusão, além do impedimento de ter a guarda de qualquer animal.


O presidente da Comissão de Proteção e Defesa dos Animais (CPDA) da OAB/RJ, Reynaldo Velloso, conta que a CPDA atua todos os anos em diversas campanhas de conscientização contra abandono e maus-tratos de animais e promove adoções responsáveis. No entanto, Velloso ressalta que ainda há um grande caminho a ser trilhado.


“O Brasil precisa de um programa de políticas públicas para os animais. O que é oferecido atualmente como castração e acolhimento não são suficientes. Seriam necessários US$ 10 bilhões para castrar todos os animais do país. Outro ponto importante é que as escolas ofereçam educação ambiental, para criar o cidadão de amanhã, que tenha amor e respeito pelos animais. A conscientização dos adultos também é importante, para que entendam que não se compra uma vida, não se vende uma vida. Os abrigos têm animais castrados e vacinados esperando por um lar”


Precaução com a saúde humana


Animais em situação de rua estão expostos a diversos perigos, como atropelamentos, violência e doenças. Não ter um tutor significa não receber cuidados, inclusive, não receber a vacina antirrábica. E neste caso, o ser humano também corre risco de ser contaminado caso seja mordido ou arranhado por um animal infectado.


Embora a raiva tenha tratamento, a taxa de mortalidade é muito alta e não é a única doença que animais sem cuidados adequados podem transmitir, além dela existem a sarna, micose, brucelose, parvovirose, cinomose, esporotricose e a leishmaniose, que causa ulcerações e, em casos mais graves, pode levar a óbito. Outro problema é o surgimento de vetores como moscas e baratas que são atraídas pela sujeira deixada por esses animais.


Procurada, a Comissão de Direitos dos Animais da Câmara de Vereadores não respondeu ao Rampas.


Caso presencie ou desconfie de uma situação de abandono, crueldade ou maus-tratos a animais, denuncie imediatamente por um desses canais:


190- Polícia Militar

181- Disque Denúncia

IBAMA 0800618080, linhaverde.sede@ibama.gov.br

Delegacia Eletrônica de Proteção aos Animais DEPA www.webdenuncia.org.br/depa

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