Como a realidade virtual pode ser usada no tratamento de pacientes
Usada como complemento à fisioterapia, a tecnologia auxilia na reabilitação, ajuda a reduzir dor e ansiedade, e aproxima pacientes e equipe hospitalar
Por Emillyn Silveira
A realidade virtual (VR) está presente em diferentes áreas: na arquitetura, em que auxilia na visualização de projetos em escala real; nos jogos, proporcionando aos jogadores uma imersão completa; e na educação, como recurso para tornar o aprendizado mais lúdico. Mas você sabia que ela também é utilizada na área da saúde? Essa tecnologia imersiva é cada vez mais empregada como complemento ao tratamento e à reabilitação de idosos hospitalizados. Nesse contexto, é comum que o paciente fique entristecido, nervoso e ansioso pelo retorno para casa, pois, mais do que retomar a rotina, ele deseja se recuperar. Há, porém, maneiras de tornar a permanência no hospital mais confortável e contribuir para o processo de reabilitação.
A realidade virtual é utilizada por meio de óculos que proporcionam a sensação de estar em um espaço físico diferente. Eles simulam ambientes reais por meio de recursos gráficos tridimensionais e imagens em 360 graus, o que permite ao paciente interagir com objetos e estímulos em um ambiente controlado. A tecnologia oferece experiências imersivas e interativas, com alguns dispositivos reproduzindo sons de acordo com o ambiente escolhido. Durante a reabilitação fisioterapêutica, a VR possibilita atividades que estimulam o paciente e podem contribuir para o aumento da força muscular. Além disso, pode reduzir o estresse e permitir a personalização dos tratamentos de acordo com as necessidades de cada indivíduo.
A tecnologia pode ter custo de aquisição elevado. No entanto, há ONGs e projetos que levam os óculos a hospitais públicos. A ONG Virtualidade, criada por alunos da Faculdade de Medicina da Unirio, realiza ações semanais com pacientes em internação prolongada. Em entrevista, a coordenadora da Virtualidade, Ida Mannarino, revelou que o projeto mudou completamente sua percepção da vida e do cuidado, e a ajudou a desenvolver sua escuta ativa. “É transformador. Principalmente para os estudantes da área de saúde, agrega muito valor à formação integral. Estou certa de que esse é um dos diferenciais desse projeto.” Segundo ela, cidades turísticas, praias, o Cristo Redentor e experiências mais radicais, como montanhas-russas e mergulhos, estão entre os lugares mais pedidos pelos mais de 1.500 pacientes atendidos pelo projeto.

A fisioterapeuta Terezinha Menezes explicou como a VR auxilia nos tratamentos e quais benefícios a tecnologia pode proporcionar: “A realidade virtual vem sendo utilizada como uma ferramenta complementar aos tratamentos convencionais. Na fisioterapia, pode ser aplicada para estimular movimentos, trabalhar o equilíbrio, a coordenação motora, a marcha e atividades com objetivos relacionados à analgesia usando a VR como distração cerebral, relaxamento para redução da ansiedade, estimulação cognitiva, entre outros objetivos”. Segundo artigo publicado pela RevistaFT em 2023, o recurso é especialmente indicado para pacientes cujas limitações motoras comprometem a autonomia nas atividades cotidianas.
Apesar de tantos benefícios, a tecnologia também exige precauções. A fisioterapeuta ressalta que a utilização da VR demanda cuidados, principalmente com pacientes que nunca tiveram contato com esse tipo de recurso. Eles podem sentir receio, medo ou insegurança, além de sintomas como tontura ou enjoo. Por isso, é importante explicar previamente o que será feito, observar a tolerância do paciente e começar com um período curto de exposição. “Ainda não existe um protocolo único que possa ser aplicado em todos os pacientes. Os objetivos do uso da VR são individualizados. É preciso avaliar a condição clínica, a capacidade de interação, alteração visual, risco de queda e a aceitação do paciente. As contraindicações, segundo a literatura, são poucas. Não há contraindicação absoluta, mas não é recomendado utilizar a tecnologia em pacientes com epilepsia, problemas de visão, tonturas graves e alterações vestibulares graves. Normalmente, antes do uso da VR, realiza-se uma triagem com o paciente ou seu familiar sobre as condições de comorbidades”, Menezes detalha.
.png)

Comentários